sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Um lindo palacete foi ao chão

Considerado um dos imóveis mais bonitos da Laguna, o palacete construído por João Monteiro Cabral no fim do século XIX, foi ao chão em 1968. Construção em cantaria, muro de pedra e gradil de ferro. Uma preciosidade arquitetônica, que representava uma época de prestígio e riqueza da Laguna. Em seu lugar foi construído um prédio sem estilo da agência do Banco do Brasil.

A partir dos anos 1970 começa a se esboçar na Laguna um movimento pela preservação de alguns casarios no centro da cidade. São edificações e suas arquiteturas com os mais diversos estilos, luso-brasileiro, art déco, o de influência moura, germânica, itálica, e outros com padrões diversos.
O gatilho para a campanha foi justamente a derrubada deste palacete situado na Praça Vidal Ramos, esquina com Rua Voluntário Carpes. 
O Palacete construído por João Monteiro Cabral.
Fundos do palacete, com o Jardim Calheiros da Graça em frente, em 1940.
João Monteiro Cabral
João Monteiro Cabral era irmão de Francisco, Marcolino e José Monteiro Cabral, todos eles lagunenses.
Eram filhos do português Manoel Monteiro Cabral, armador e exportador em nossa cidade, que prestou grandes serviços à Laguna, especialmente quando da construção do Hospital de Caridade, do qual foi membro (tesoureiro) da comissão construtora. “Foi tronco de numerosa e tradicional família lagunense, que se espalhou depois por outras cidades, principalmente Tubarão e Florianópolis”.
O filho, João Monteiro Cabral, que construiu o palacete, era filiado ao Partido Republicano. Casado com Elisa Jerônymo de Mesquita, nascida em 1851 no Rio de Janeiro e filha de Jerônimo José de Mesquita (Barão de Mesquita) e Elisa Maria de Amorim.
João Monteiro Cabral foi presidente do Clube Blondin, presidente da “Praticagem Livre do Porto e Barra da Laguna”, provedor do Hospital de Caridade e tesoureiro da Irmandade Santo Antônio dos Anjos. Em 1908 promoveu ampla campanha por donativos em prol de obras na igreja Matriz.
 
Na foto feita em meados dos anos 1910, pode-ser observar a igreja Matriz, o Campo do Manejo (futuro Jardim Calheiros da Graça), a casa de José Goulart Rollin, onde será construída a nova sede do Clube Blondin, o Palacete de João Monteiro Cabral e na esquina ao lado a antiga sede do Clube Congresso Lagunense, construída em 1897.
Um palacete à venda
 “Vende-se o grande prédio de sólida construção de cantaria, com muro de pedra e gradil de ferro, na rua Conselheiro Jerônimo Coelho esquina da rua Voluntário Carpes, com frente para o Jardim Calheiros da Graça, com jardim na frente e todas as comodidades para grande família, tendo água encanada, banheiro, latrina e esgoto”.

Os dizeres acima são do anúncio da venda do citado imóvel, publicado na Revista Santelmo, de 1º de janeiro de 1922.
João Monteiro Cabral já deveria andar doente quando se decidiu pela venda do citado palacete, pois tão logo concretizou a transação, faleceu em outubro do mesmo ano.
O palacete foi adquirido por João Tomaz de Souza.

João Tomaz de Souza
João Tomaz de Souza, casado com Aurora (Bortoluzzi) Souza, foi também armador e exportador na Laguna. Era um dos sócios da Empresa Lagunense de Navegação, em sociedade com Pinho & Cia e Sady Candemil (pai do atual prefeito da Laguna Mauro Candemil) e Cia.
O escritório da empresa funcionava na sala da frente da atual Casa Candemil – Arquivo Público (que está fechado), entre a rua Fernando Machado (Rincão) e Travessa Manoel Pinho. Operava no ramo de exportação de cereais, farinha, madeira, camarão seco, entre outros produtos.
João Tomaz de Souza é avô materno dos falecidos desembargadores Márcio Souza Batista da Silva, e João Eduardo de Souza Varella, que foi presidente do Tribunal de Justiça, e do Tribunal Eleitoral de Santa Catarina.
Pintura feita por Zuleika Maria Duarte Varella.
Ainda no ano passado, em 4 de agosto, Zuleika Maria Duarte Varella, artista e viúva do desembargador João Eduardo Souza Varella, fez entrega à prefeitura da Laguna, de uma tela pintada por ela, do antigo casarão. O imóvel foi residência dos progenitores do desembargador Souza Varella, Itamar de Souza Varella e Antônio Nunes Varella. A obra está exposta no Museu Anita Garibaldi.

Surge um caixote sem estilo arquitetônico
O palacete foi ao chão no ano de 1968, adquirido pelo Banco do Brasil para construção de sua agência bancária. Em seu lugar surgiu um caixote, sem nenhum atrativo ou estilo arquitetônico.
Já o palacete era uma obra arquitetônica de rara beleza, atravessando os anos e servindo de cenário a tantos acontecimentos sociais, religiosos, esportivos e militares na Laguna.

A derrubada do majestoso palacete situado ali na Praça Vidal Ramos provocou indignação em muitas pessoas que previam uma onda de “bota-abaixo” em todo o centro da Laguna, com perdas lastimáveis e irrecuperáveis em seu rico patrimônio arquitetônico.
Antes deste fato não se encontra em jornais de nossa cidade qualquer escrito ou campanha pela preservação de imóveis e sua importância paisagística.

Para corroborar esta afirmação, basta ver que o único prédio tombado na Laguna até 1977, foi o prédio da Casa da Câmara e Cadeia (futuro Museu Anita Garibaldi), em 5 de março de 1954, realizado pelo Patrimônio Artístico Nacional. Um dos relatores do documento foi o poeta Carlos Drummond de Andrade.

 O entendimento na Laguna – e isso facilmente pode ser constatado nas notas dos jornais - era a de quando um proprietário derrubava seu antigo imóvel para construção de outro mais moderno, recebia elogios louvando o progresso que chegava.

Poder público não se manifestou à época, diz arquiteto
O arquiteto Dagoberto Martins diz que a empresa contratada pela instituição bancária para instalar/construir agências do banco em todo o Brasil certamente ficou até surpresa por não ter encontrado qualquer tipo de resistência à derrubada deste prédio, por parte do poder público municipal da época.
 “À exemplo de agências em outras cidades históricas, de rica arquitetura, eles poderiam ter aproveitado o próprio imóvel, com algumas adaptações, guardando suas características originais”, salienta Martins, que anos depois vai ser o primeiro chefe do escritório do Iphan na Laguna.

Se não houve interesse das autoridades da época na preservação do local, não existia também lei ou decreto regulamentando demolições e/ou conservação de imóveis no centro da cidade.
A criação desses mecanismos legais de preservação e tombamentos vai iniciar em meados da década de 70. É matéria para um próximo post, que estou elaborando.

Lamentação, choro e poesia pela derrubada do palacete
Renato Ulysséa, de saudosa memória, foi funcionário da filial da empresa Hoepcke em nossa cidade, até sua aposentadoria. Faleceu aos 99 anos. Vizinho ao palacete foi um dos inconformados com a derrubada do casarão. Sempre dizia a este autor que chorou muito na esquina do Clube Congresso Lagunense quando começou a demolição.
“Era um patrimônio arquitetônico que ia embora e eu me sentia impotente para evitar tal disparate”, lamentava-se sempre em conversas com familiares e amigos.

O professor Ruben Ulysséa, numa crônica publicada alguns anos depois, no jornal Semanário de Notícias de 7 de maio de 1977, lamentava a derrubada:

(...)
“A minha admiração de menino era pelo suntuoso palacete de João Monteiro Cabral, ali na Praça da Igreja, centralizando um vasto terreno que compreendia quase todo o quarteirão. Casa que, juntamente com essas que antes citei, muito bem representava uma época de prestígio e riqueza, digamos, a “belle époque” dessa Laguna já distante... Infelizmente esta preciosidade arquitetônica foi demolida para a construção do edifício do Banco do Brasil. Com tantas esquinas velhas que existem na cidade, foram derrubar justamente essa casa apalaçada que emprestava uma incontestável beleza à praça da Matriz...”(...).

Norberto Ungaretti em seu livro “Laguna um pouco do passado”, pág. 252, relembra:

“Era aquele o prédio residencial mais bonito da Laguna, e continuou sendo enquanto existiu. Dava para a rua Voluntário Carpes, com seis altas janelas de estilo ogival, três de cada lado da porta principal, à qual se chegava subindo uma pequena escada com degraus laterais. No lado que dava para a Praça Vidal Ramos, eram cinco as janelas, nas mesmas medidas e estilo. Tinha um andar apenas, mas dispunha de um porão habitável, se é que se podia chamar de porão àquela parte, onde o dr. Milton Bortolluzzi de Souza muito mais tarde instalou, com toda a comodidade e conforto, seu escritório de advocacia”

Ungaretti, quando da derrubada do imóvel, escreveu uma poesia que intitulou “Réquiem para uma casa branca – A esquina do seu João Thomaz não é mais”, que tomo a liberdade de reproduzir:

“Onde estão as paredes brancas,
sempre brancas,
as janelas ogivais?
não estão mais.

Agora,
os nossos olhos flutuam
naquele pedaço vazio de paisagem urbana,
à procura da velha casa,
branca,
como uma visão...

Tão forte, tão de pedra,
e no entanto tão frágil...
quem diria?”.

Troca-troca no Turismo

Portaria publicada no Diário Oficial de hoje, e assinada pelo prefeito Mauro Candemil, exonera, a pedido, Antônio (Nico) Cláudio Quirino Ramos do cargo de secretário Municipal de Turismo, Lazer e Comunicação.
Outra portaria nomeia para o mesmo cargo, Evandro Carneiro Flora.

Nos senadinhos políticos comenta-se que houve uma reviravolta esta semana e quem estava propenso a assumir o cargo era o vereador Kléber (Kek) Roberto Lopes Rosa (PP).

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O dia em que a terra tremeu na Laguna

Nos anos de 1908 e 1939, tremores de terra sacudiram Laguna e região, com registros desses dois fenômenos até em estados e países vizinhos. Se o primeiro tremor passou quase despercebido, o de 1939 rachou paredes e assustou a população lagunense, ao ponto de pessoas, em "crises de nervos", correrem para as ruas e até se atirarem das janelas, de pijamas.

Sabe-se que no Brasil, tremores de terras só começaram a ser detectados com precisão a partir de 1968, quando da instalação de uma rede de sismologia por todo o país.
São 40 as estações instaladas. A mais potente fica em Brasília.
Técnicos dizem que mesmo o Brasil não estando sobre as bordas das placas tectônicas, tremores podem ocorrer nas regiões chamadas “interplacas”. Ou podem ocorrer por causa dos reflexos de terremotos ocorridos em países da América Latina. Como foi o caso, por exemplo, em 2015, quando tremores foram sentidos em Santa Catarina, após o terremoto ocorrido no Chile.
Antes disso, em 2008, um tremor de terra foi sentido em São Paulo, atingindo 5,2 graus de magnitude na escala Richter. O fenômeno também chegou ao Paraná, Minas Gerais e Santa Catarina.

Tremor de 1908
Com o título “Tremor de terra”, o jornal O Albor, numa pequena nota, à página 2, em sua edição de 1º de janeiro de 1909, noticiou o ocorrido:

“Às 11 horas da noite do mês findo (29/12/1908), foi sentido nesta cidade um forte tremor de terra, seguido de ruídos subterrâneos.
O fenômeno durou alguns segundos e manifestou-se do sul para o norte. Consta-nos que foi sentido também nos municípios de Araranguá, Jaguaruna, Tubarão, Garopaba e São José”.

Não deve ter sido tão grave, já que não há registros de gente assustada, prejuízos materiais ou vítimas. Nas edições seguintes o jornal não mais abordou o assunto.

Tremor de 1939
Já em 2 de julho de 1939 foi diferente. O fenômeno foi matéria de capa do mesmo jornal, que o destacou em manchete: “Tremor de terra em Laguna”.

O Albor informa que o tremor de terra foi de vibração apreciável, aconteceu às 8h30min e durou 8 segundos, se fazendo sentir em toda zona, na quarta-feira última (28 de junho):

“Nesta cidade, o fenômeno não terá causado outros prejuízos materiais, além da rotura de paredes de algumas casas particulares, da Coletoria Estadual e da igreja Matriz.
Provocou, todavia, um começo de alarme na população que se teria convertido, com certeza, em generalizado pânico se a vibração da terra, acompanhado de ruído característico, se tivesse prolongado por mais alguns segundos”.

Observatório da Argentina registrou o tremor, diz o jornal O Estado
O tradicional jornal O Estado, de Florianópolis, em sua edição de 29 de junho de 1939, um dia após o ocorrido, com o título “O terremoto de ontem”, diz que o fenômeno “foi geralmente percebido” e “verificado pouco depois das 8 e meia da manhã, quando já toda a gente se achava de pé”.
Mas ressalta que “O Observatório de Villa Ortuza, em Buenos Aires, registrou o fenômeno às 8 horas, 38 minutos e 42 segundos, calculando que tenha se verificado a 1.500 mil quilômetros ao nordeste daquela capital. Nesse raio estão compreendidos os três estados do sul do Brasil”.
No Rio Grande do Sul, continua o jornal, foram atingidos Porto Alegre, Pelotas, Rio Grande, Osório, Santa Maria, Carazinho e Passo Fundo. Sem vítimas a registrar.

“Parecia um grande caminhão”
Se os prejuízos materiais não foram de grande monta, o susto na Laguna foi grande, como se pode deduzir lendo a continuação da reportagem feita pelo O Albor:

“Eram precisamente oito horas e trinta e cinco da manhã, quando o fenômeno sísmico se verificou.
Dando, de começo, a impressão de que a terra estremecia em consequência da passagem de um grande caminhão nas proximidades. Dentro de rápidos momentos convenciam-se os que sentiam a vibração, de que, pela violência invulgar, tratava-se de um tremor de terra”.

Crise de nervos
“O tremor de terra durou aproximadamente oito segundos. Tempo suficiente, porém, para que, tomadas de susto, pessoas tivessem crise de nervos e algumas praticassem atos desatinados; atos que, por felicidade, não tiveram consequências a lamentar-se”.

Quase se jogou da janela da prefeitura
Não, não foi o prefeito da época, nem seu chefe de gabinete, ou algum dos secretários da prefa. O Albor registrou:

“Ao que nos informam, um operário esteve a ponto de saltar de uma das janelas do sobrado da prefeitura municipal”.

De pijama, pulou na marquise do hotel
“O mesmo aconteceu com um senhor viajante que, em pijama, lançar-se-ia da marquise do Grande Hotel Moderno (rua Osvaldo Cabral) se pessoas não o tivessem contido com gritos de que tudo havia passado”.

Saltando da janela da Coletoria
E o jornal continua narrando, dando detalhes do acontecido, que o pessoal daquela época já gostava das desgraças alheias, como hoje:

“Um funcionário da Coletoria Estadual, pressentindo o perigo, saltou de uma das janelas do prédio onde está instalada essa repartição”. (Rua Santo Antônio, prédio com os cachorros de porcelana. Convenhamos, a janela não é tão alta assim).

Alucinação e fugindo para a rua
“Numerosas foram as pessoas que ao verem balançantes as paredes das casas em que se encontravam fugiram para a rua. Houve, mesmo, casos de alucinação momentânea. Mas tudo, como se vê, não passou de mero susto!
Segundo notícias de última hora o abalo sísmico registrado nesta cidade, quarta-feira última, também foi sentido na capital do Paraná e localidades vizinhas, bem como em alguns pontos do Estado do Rio Grande do Sul, Argentina e Peru”.

Explicações de um padre e de um professor para o fenômeno
Na falta de explicações de órgãos meteorológicos, que ainda não existiam naquela época, O Albor foi buscar informações com alguns estudiosos:

“Pelo que nos informam o reverendo padre Schreider e o professor Mâncio Costa, aquele lente do Ginásio Catarinense e este do Instituto de Educação, explicam o fenômeno como sendo consequência da queda de um aerólito nesta região.
Realmente, algumas pessoas residentes nesta cidade, afirmaram terem visto, no momento em que sentiam o abalo sísmico, um traço luminoso no céu”.

Pode ter sido um terremoto, um tremor, um aerólito, raio e/ou trovão, mas que o fenômeno em seus 8 segundos de duração, assustou, assustou. Que o digam os nossos apavorados antepassados em suas “crises de nervos” e "alucinações momentâneas". 
Correram para as ruas da cidade, ameaçaram pular e alguns até mesmo saltaram das janelas de prédios, um deles em cima da marquise e vestido de pijama.

sábado, 14 de outubro de 2017

Motociclista Nilson Algarves lança livro

Próxima quarta-feira (18), às 20 horas no Laguna Tourist Hotel, acontece o lançamento do livro “América Meridional de Motocicleta – rumo ao fim do mundo e outras histórias”, de Nilson Algarves.
Diz o autor sobre a obra:

“Viajar de motocicleta pode ser considerado, por alguns, uma aventura muito perigosa, sem propósito, desnecessária. No entanto, para o motociclista esse ato é um estilo de vida, uma aventura com risco calculado, necessária, que faz bem ao corpo e à alma.
No meu caso, essa sensação de bem-estar veio com o tempo, com a prática.
No início foi sofrido, doloroso, assustador. As viagens foram moldando meu espírito de aventura e a liberdade inerente a todos nós, motociclistas; foram me transformando à medida que eu viajava. E a sensação, depois disso, foi de prazer, satisfação e divertimento”.

O evento é aberto ao público.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

TCE rejeitou e vereadores aprovaram contas de 2015 do ex-prefeito Everaldo

Mesmo com rejeição do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCSC), a Câmara de vereadores da Laguna aprovou, por 10 votos a 1, em votação nominal, prestação de contas do ano de 2015 (PCP 16/00317704) do ex-prefeito Everaldo dos Santos.

Sessão ocorreu na noite da última segunda-feira (9). Vereadores alegaram seguir parecer da Comissão de Finanças e Orçamento do Legislativo, que recomendou pela aprovação. A votação foi rápida, sem maiores delongas, discussões, explicações ou questionamentos. 

Votou a favor da rejeição das Contas, seguindo o parecer do Tribunal de Contas, o vereador:

Adilson Paulino (PSD)

Votaram contra a rejeição e pela aprovação das Contas os vereadores:

Cleosmar Fernandes (PMDB)
Osmar Vieira (PSDB)
Patrick Mattos de Oliveira (PP)
Valdomiro Barbosa de Andrade (PMDB)
Nádia Tasso Lima (PMDB)
Kleber Roberto Lopes Rosa (PP)
Rodrigo Luz de Moraes (PR)
Thiago Alcides Duarte (PMDB)
Luiz Otávio Pereira (PP)
Rhoomening Souza Rodrigues (PSDB).

Ausências:
Peterson Crippa (PP)
Roberto Carlos Alves (PP)

Já as contas de 2014, (PCP 15/00461382) do ex-prefeito, foram aprovadas com ressalvas pelo Tribunal de Contas e também aprovadas na mesma sessão, desta vez por unanimidade pela Câmara, seguindo parecer da Comissão de Finanças e Orçamento.
Quer dizer: se o Tribunal de Contas aprova, vota-se aprovando; se o Tribunal rejeita vota-se também aprovando. Qual é a saída?

São membros da Comissão de Finanças e Orçamento os vereadores:

Kleber Roberto Lopes Rosa (Presidente); Thiago Alcides Duarte e Rhoomening Souza Rodrigues (membros).

Abaixo, cópias do Parecer do Tribunal de Contas com a rejeição das contas de 2015:






terça-feira, 10 de outubro de 2017

O pombal da rua Barão do Rio Branco

A recuperação do prédio do antigo Hotel Rio Branco é uma obra que se arrasta há anos, na rua Barão do Rio Branco, no chamado Centro Histórico da Laguna, tombado desde 1985.

Depois de muitas reclamações de moradores e comerciantes do entorno, o tapume da obra foi apenas recuado, liberando o trecho da rua para o trânsito de veículos. Sem calçada para os pedestres. Cadê a tal de mobilidade urbana tão pregada pelos arautos arquitetônicos?
A cobertura com telhas da edificação foi realizada nos primeiros meses deste ano e logo em seguida novamente as obras pararam. Há meses não se vê nenhuma movimentação de operários no local.

É caso inclusive para atuação da Vigilância Sanitária, já que, com todas as janelas abertas, os pombos e seus cocôs fazem a festa lá dentro. Verdadeira ameaça à saúde pública. E nenhuma autoridade diz nada, ninguém fala nada. Que providências foram tomadas?

Agora leitor, vai um de nós fazer uma pequena obra na casa da gente, vai fechar a calçada para ver se logo não vem a fiscalização da prefeitura em cima.

Não é o caso de notificar os proprietários daquele prédio? De lavrar multas? De exigir cumprimentos de prazos, através de um cronograma fiscalizado pela secretaria de Planejamento? Cadê o cumprimento do Código de Posturas?

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

No tempo das Normalistas

As estudantes Normalistas foram homenageadas e cantadas em prosas e versos por inúmeros escritores e cantores. Vestidas de azul e branco, nas calçadas, entradas e saídas das escolas, faziam sucesso, principalmente junto à plateia masculina.
Nelson Gonçalves compôs e cantou a música “Normalista”, de enorme sucesso à época. Eis um trecho:
(...)
"Vestida de azul e branco
Trazendo um sorriso franco
No rostinho encantador
Minha linda normalista
Rapidamente conquista
Meu coração sem amor”
(...)
     O Curso Normal era também conhecido como Magistério de 1º Grau.
O ingresso no curso, com vistas à carreira de professora praticamente era a única profissão aceita para mulheres, numa sociedade extremamente machista. Complementava a renda da família e/ou garantia um casamento bem sucedido, pelo menos financeiramente.

O escritor Rubem Alves, em seu livro "O velho que acordou menino", recorda que naqueles tempos ter uma filha com diploma de Normalista ou um filho empregado no Banco do Brasil, era garantia para os pais dizerem: "Podemos morrer. A sobrevivência de nossos filhos está garantida".

As Normalistas do Curso Normal Regional do Grupo Escolar Jerônimo Coelho
O Grupo Escolar Jerônimo Coelho iniciou suas atividades em 6 de agosto de 1912 e foi inaugurado em 10 de dezembro do mesmo ano. Seu primeiro diretor foi João dos Santos Areão. Assumiu o estabelecimento de Ensino em 12 de julho daquele ano, a convite do inspetor geral de ensino em Santa Catarina, Orestes Guimarães. Dedicou-se nove anos à direção da instituição. 
Era governador de Santa Catarina, Vidal Ramos. O superintendente (prefeito) da Laguna era Oscar Guimarães Pinho.


Foi a primeira escola estadual em nossa cidade e a terceira no estado. Para conhecimento: A primeira, foi o Grupo Escolar Conselheiro Mafra, em Joinville, inaugurado em 15/11/1911; a segunda, o Grupo Escolar Lauro Müller, em Florianópolis, inaugurado em 22/05/1912.
O Grupo Escolar Jerônimo Coelho funcionava em turnos, e em seu início, e durante muitos anos, com alas separadas por sexo. 
 Hino a Jerônimo Coelho:
(Letra e musica Agenor dos Santos Bessa)

Lutador incomparável,
Filho do nosso torrão.
Eu te ofereço neste canto,
A sincera saudação.

Foste herói de mil batalhas,
Da vida cheia de luta.
O Brasil com gratidão,
O teu nome sempre escuta.

A Laguna não se esquece,
Desses nomes consagrados,
E cantando ela revive,
Os seus feitos consumados.

A ti Jerônimo Coelho,
Eu dedico com fervor,
Este canto entusiasta,
Que transpira o nosso amor.

Em 1947, foi criado o Curso Normal Regional José Varela Júnior, visando formar professores para atender escolas do próprio município e de outros municípios do estado. Por isso o "Regional". 
O professor Varela Júnior, recém falecido à época, havia sido professor de Geografia do Ginásio Lagunense. Muito espirituoso, muito querido por todos. Em 1938, foi um dos membros fundadores da Congregação dos Professores que durante alguns anos administrou aquele tradicional estabelecimento de ensino lagunense, fundado em 1932. Foi diretor do Jerônimo Coelho em 1939.
Em 1964, este curso foi substituído pelo Ginásio Varela Júnior, para formar alunos do Curso Secundário.
Pois o Curso Normal Regional Varela Júnior, ao longo dos anos, formou dezenas de professoras, as chamadas Normalistas, de tantos serviços prestados à Educação do nosso município e do estado.

Normalistas de 1948
Trago aqui fotografias da formatura das Normalistas (magistrandas) do ano de 1948, do então Grupo Escolar Jerônimo Coelho. O prefeito da Laguna era Alberto Crippa e o diretor da Escola Básica Jerônimo Coelho era Pedro Piva Júnior.
O evento aconteceu no dia 15 de dezembro daquele ano, às 8 horas com missa de Ação de Graças na igreja Matriz, entrega, às 16 horas, de certificados no Theatro 7 de Setembro (onde hoje está situado o Centro Cultural Santo Antônio dos Anjos), e coquetel logo após, no prédio dos Vicentinos.
Os nomes das formandas são os de solteiras. Para ampliar, basta clicar sobre as fotos:
Fila superior: Gaby Costa, Ozi Ramos Algarves, Benta Florência de Jesus, Alaíde Constantino, Terezinha Fernandes, Olga Dutra e Janice Barbosa Cabral.

Fila do meio: Ranúzia Lopes, Dircéia Esponina Conceição, Inês Zita Corrêa, Irinéia Cardoso, Elza Júlia Nascimento, Leda Balbino Corrêa, Gether Andrade Martins, Abgail (Bega) Fabre Pereira, Zaira Mattos (oradora), Ninita Martins Soccas, Abgail Geraldina da Silva, Zilda Machado Dias, Irinéia Cardoso (?), Lenir Viana dos Santos, Terezinha da Silva Netto, Enára Ezequiel de Oliveira e Angélica Framarim.

Sentadas: Eugênia dos Reis Perito, Cerise Miranda Valério, Déa Dutra, Maria Guiomar Machado, Thales de Oliveira, Irma da Silva, (?), Luci Inês Corrêa, Marilza Lory de Barros, Norma Veiga Visalli, Gedália Gonçalves Barreiros e Gilda Maria Remor.
Na foto acima, falta a formanda Maria Santelina Nunes. E como se pode constatar, dentre as Normalistas há um homem. Trata-se de Thales de Oliveira.
No coquetel de formatura.
À mesa de autoridades, o prefeito da Laguna Alberto Crippa e o diretor do Jerônimo Coelho Pedro Piva Júnior. Na mesa em frente, Manoel Américo de Barros com a filha Marilza.

Pode-se observar nesta foto as formandas: Enara com seu irmão dr. Ennio Ezequiel de Oliveira; Abgail Faber Pereira com seu pai Rodolfo; Ninita Soccas e Elza Nascimento com seu irmão.
Nesta turma de 1948, destaco três personagens:

Ranúzia Lopes (depois, Barreiros, com o casamento com o saudoso Aliatar).
Dª Ranúzia, hoje com 86 anos, relembra os áureos tempos:
“Praticamente todas nós, depois de formadas, com poucas exceções, fomos ministrar aulas em Escolas da Laguna e de municípios do estado. Eu lembro que a mais estudiosa da nossa turma, em minha opinião, era a aluna Alaíde Constantino. (Está de tranças, na foto do coquetel).
Depois de formadas eu e ela fomos morar juntas em Criciúma e fomos professoras por lá por quatro anos. Nesse meio tempo eu noivei e retornei para Laguna para casar com o Aliatar Barreiros. Em seguida, deixei o magistério.
A Alaíde também voltou e foi dar aulas no interior da Laguna onde conheceu um professor, seu futuro marido, e depois foram para Florianópolis, onde ela continuou seus estudos e se formou em Direito, tornando-se advogada na capital do estado. Há alguns anos fui visitá-la em Florianópolis. Foi com imensa alegria que nos revimos. Ela faleceu ano passado.
Tinha também a Gedália, nunca mais a vi, que era muito sapeca, alegre e se fazia respeitar.
Dos professores me lembro da dª Maria Serafina, Carmen Freitas, Azair Corrêa, Jairo Baião e do diretor Arno Hilbe.

***************
Abgail (Bega) Fabre Pereira, (Depois Ramos, com o casamento com o saudoso José Carlos Ramos (Juka da Livraria), hoje com 89 anos, também relembrou os inesquecíveis  momentos:

“A disciplina era muito rígida. Diariamente cantávamos o Hino do Brasil, ou de Santa Catarina ou da Bandeira. Estudávamos no turno vespertino. Lembro que o nosso uniforme era uma saia na cor azul, com blusa branca. Sempre estudei no Jerônimo Coelho. Já havia feito dois anos do Curso Complementar e ingressei no Normal para mais dois anos. Antes, tinha sido alfabetizada pela professora Júlia Nascimento, em sua escola na descida do Morro da Nalha, na rua que hoje leva seu nome. Era mãe das professoras Dª Mimi, Elza e Conceição. Aliás, a Elza foi da minha turma de formatura.
Dos professores lembro bem do Jairo Baião (Português), Carmem Freitas (História), Lely Peressoni (Psicologia) e Pedro Piva Júnior, que também era diretor da Escola, e que ministrava Matemática. Eu era muito conversadeira e às vezes me excedia na sala de aula. Até hoje me lembro da voz do professor Piva me chamando a atenção: - Dª Abgail, olha a conversa...
Era uma turma muito boa, muito alegre e unida. Das alunas mais inteligentes destaco a Enara Ezequiel de Oliveira, a Luci Corrêa e a Elza Nascimento. Quando não entendia as equações do professor Piva era a Elza que me socorria. Manjava tudo de matemática, depois se tornou professora desta disciplina até se aposentar.


Éramos seis
Na sala e fora dela, tínhamos uma turminha muito unida. Éramos seis, a passeios pela cidade, cinema, piqueniques e sempre estávamos juntas. Era eu, a Enára Ezequiel de Oliveira, a Gilda Remor, a Gether Andrade Martins, a Ninita Soccas e a Lenir Bittencourt.
Depois de formada fui trabalhar na loja com meu pai, a Pereira & Pinho, ali na Gustavo Richard, que depois se transformou em Rodolfo Luciano Pereira, ferragens e tintas. Mais tarde casei com o Juka e fui trabalhar na Livraria Santa Catarina.
Foi um tempo muito bom de aluna do Normal no Jerônimo Coelho. Foram dois anos de muitos estudos e amizades que até hoje guardo com saudades”.

***************
Gilda Maria Remor (depois, Guedes com o casamento com o sempre lembrado Fernando), hoje com 85 anos, iniciou sua carreira docente na Escola Básica Ana Gondim.
Foi também professora do Conjunto Educacional Almirante Lamego (CEAL) e do Jerônimo Coelho, onde se aposentou. Sempre muito querida pelos alunos e pelos colegas do magistério. Ex-alunos quando a encontram costumam beijá-la e abraçá-la.

*****************
Luci Inês Corrêa nascida em Imaruí (já falecida), depois Filgueiras, do casamento com seu Alfeu, fez os dois primeiros anos do Curso Complementar em Imaruí, no Grupo Escolar Carlos Gomes. 
Anita Filgueiras, sua filha, conta que dª Luci cursou, em 1947 e 1948, os dois anos do Curso Normal Regional, no Jerônimo Coelho. Formada, ministrou aulas em Lages para onde foi nomeada e depois em Imaruí. De volta a Laguna, foi professora da Escola Major João Luiz Netto (do Carequinha), no Magalhães. Aposentou-se como professora do Grupo Escolar Jerônimo Coelho.

***************
Normalistas de 1952
Lorena Pacheco (depois, Guedes, do casamento com meu saudoso pai Valmir). Minha mãe, hoje com 83 anos, foi uma das formandas deste ano. O prefeito da Laguna já era então o dr. Paulo Carneiro.
Ela relembra:
"O Curso era o Normal Regional Varela Júnior, portanto só podíamos exercer como professoras no estado de Santa Catarina. Tão logo formadas, éramos nomeadas por portarias assinadas pelo governador, para diversos municípios do estado, onde havia vagas.
A solenidade e coquetel de formatura aconteceram no palco e auditório da Rádio Difusora, ali na Praça Vidal Ramos, onde hoje é a Pizzaria Chedão. A oradora foi a Terezinha Brandl.
Lembro que antes havíamos ganhado de presente do governador Irineu Bornhausen, uma viagem e estadia de quinze dias em Itajaí, onde passeamos e descansamos no melhor hotel daquela cidade.
A turma de Normalistas de 1952 em Itajaí, em viagem a passeio. Saias azuis e blusas brancas, como na música. À direita, a professora de Educação Física Diva Zeferina. Bem no centro, a diretora Nêmesis de Oliveira.
A diretora do Jerônimo Coelho era a professora Nêmesis de Oliveira e o inspetor de ensino Pedro Piva Júnior. Lembro com saudades da professora Maria Serafina de Oliveira que ministrava Psicologia. Veja só, já tínhamos aulas de psicologia naquela época. Da professora Azair Corrêa, Carmem Castro, do padre Gregório Warmeling, que dava aula de música, tinha até um piano. É mesmo, onde será que foi parar aquele instrumento musical?
Tinha também a professora de Educação Física, Diva Zeferina, que era bem alta. Lembro que eram muito boas no vôlei as alunas Selena Carvalho, a Terezinha Brandl, a Maria do Carmo Remor e a Odete Medeiros.
Das que mais se destacavam nos estudos cito a Valdira Corrêa, que decorava todos os textos, as lições, tinha uma facilidade de decorar os pontos, como a gente chamava. Ela sabia de cor de tanto ler e decorar. A mais estudiosa e inteligente acho que era a Maria do Carmo Remor, que se destacava. Eu me dava bem em Português. Lia, falava, declamava e escrevia muito bem.
Uma das minhas grande amigas foi a Valdira Corrêa, andávamos sempre juntas, fazíamos os deveres e trabalhos lá em casa, falávamos sobre namorados. Ela foi nomeada para uma escola de Lages, onde depois chegou a diretora.
Nossas fotos foram feitas pelo seu Almiro Bacha, que também fez as molduras onde elas foram colocadas.
Lembro das homenagens que a nossa turma fez ao governador Irineu Bornhausen, ao prefeito dr. Paulo Carneiro, aos diretores e professores do Jerônimo Coelho, ao comerciante e também dirigente da Associação Comercial de Laguna, Carlos Rollin Cabral.

Logo após a formatura fui nomeada, com portaria, para a Escola Domingos Barbosa Cabral, na Pescaria Brava. Minha outra colega Valdira Claudino, que era ali da Passagem da Barra, também foi nomeada para lá. Tínhamos então 19 anos. Íamos de trem até a localidade do 37 e dali a pé até a Escola, veja que longe. Pela dificuldade de locomoção eu e a Valdira passamos a morar lá, na pensão da dª Filomena. Comíamos muito peixe, carne era um luxo. 
A gente era muito respeitada, estimada pelos alunos e pais. Ganhávamos presentes, o pessoal trazia frutas, ovos. Como eu era Filha de Maria aqui na matriz, fui também transferida para a igreja de Pescaria. O pessoal era bem religioso, tinha muita fé.
Foram dois ou três anos lá, depois meus pais foram embora para Porto Alegre e eu tive que ir junto, abandonando o magistério. Trabalhei lá numa rede de drogarias, a Paniz, hoje Panvel, fiz o curso de datilografia, e em 1959 retornei para Laguna para casar. 
Foi uma época muito feliz os anos como estudante do Curso Normal Regional e como professora lá em Pescaria Brava. Tenho muitas saudades. Às vezes penso que não deveria ter abandonado o magistério, eu gostava tanto.

“Normalista”, a música
E finalizo esta pesquisa, entrevistas, lembranças e homenagens, com a música “Normalista”, na voz de Nelson Gonçalves: